de três dedo


300 by lnrdmrqs
agosto 20, 2009, 7:00 am
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Crescer em uma cidade e, mais especificamente, em uma família na qual um clube específico de futebol exerce uma hegemonia absoluta é delicioso. Especialmente se o time é o poderoso SANTOS FUTEBOL CLUBE. Juro para vocês que eu me sentia como um espartano, parte de um grupo guerreiro aristocrático andando apenas com os mais fortes. Se São Paulo tinha a tal da Democracia Ateniense Corinthiana, a poucos quilômetros dali havia um guerreiro  aristocrático esmagando os mais fracos.

Soares, Arturo e Chulapa

Soares, Arturo e Chulapa

Ele. Sérgio Chulapa. O cara que me ensinou a ser homem. Nunca me esquecerei de meu primeiro jogo na Vila. O dia em que eu vi esse cara em campo pela primeira vez foi o dia em que compreendi o significado da genética alvinegra praiana que herdei. Mas vou guardar a trajetória de torcedor para dias mais inspirados. Por ora são suficientes as referências ao Santos e ao Chulapa.  Cheguei de voadora na porta. Com os dois pés.

Como bom SANTISTA, me tornei um apreciador desta tradicional e edificante disciplina que é a História. Depois de trilhar caminhos obscuros, caí na tal da Universidade Federal do Paraná, onde tive a oportunidade de conhecer os três outros cidadãos que compõem o presente blog. Concluí o curso na dita cuja e me meti à besta de fazer um doutorado nesse negócio, com temas completamente não relacionados ao futebol. Por enquanto. Um dia vou explorar esse lance mais a sério, quando já estiver estabelecido no campo. Mais ou menos como os caras do Metallica, que gravaram discos como Ride the Lightening e Master of Puppets para provar que podiam ser extremos, ficando liberados posteriormente para coisas como o álbum preto ou mesmo aquelas coisas horrorosas que vieram depois.

Acho que isso aqui será um exercício interessante, uma espécie de preparação descontraída para algo que pode vir a ser ainda mais central em minha vida. Uma “brincadeira séria”, para citar o finado Richard Morse. Vou deixar o momento me guiar. Se estiver no espírito de uma resenha de um livro futebolístico, mando uma resenha. Se estiver no clima de uma xingadinha refinada no Kleber Pereira, dou uma xingadinha refinada. Se estiver na vibe de provar UMA VEZ MAIS que o lateral esquerdo BRANCO matou um cara, provo que o Branco matou um cara.

Futebol é um troço tão inspirador que faz a gente achar que sabe de alguma coisa. E essa sensação é boa demais para não extravazar.

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Só se não for brasileiro nessa hora by Allan Oliveira
agosto 19, 2009, 4:54 pm
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Não adianta. Eu bem que tento resistir, mas como diria o samba dos Novos Baianos, “só se não for brasileiro nessa hora“. Basta ver um bando de gente correndo atrás de uma bola que meu dia pára ali mesmo. E convenhamos, tem coisa melhor? Ter, até que tem… mas uma boa partida de futebol (com jogadas sublimes e uma certa dose de tensão no ar) é uma das grandes invenções da modernidade. É uma delícia ver um historiador sério e sisudo como Eric Hobsbawn se rendendo às evidências e afirmando que, junto com o cinema e com o jazz, o futebol é o grande fenômeno da cultura popular no século XX. Daí não tenho saída: ou vejo como torcedor ou vejo como aquilo que meu trabalho (professor de antropologia) me obriga…

Freud disse que em algum momento da infância termina a fase de latência do homem e ele percebe as mulheres. É verdade. E é também o momento onde ele percebe a graça do esporte bretão. No meu caso, bastava ligar a TV, no início dos anos 80 e eles estavam lá: a seleção de 82; Platini e a elegância; os milagres de Maradona; as finais de Brasileirão; Serginho Chulapa; Oscar e Daryo Pereira; o folclórico Jacozinho; a categoria de Pita; as defesas de Rodolfo Rodriguez; o medo que eu tinha de Hugo De León (bastava ouvir seu nome e eu pensava “ih, meu time não vai fazer gol hoje”); as defesas do Rafael e as caretas do Lela no Couto Pereira, onde meu pai me levava para ver o Coritiba jogar (sem falar nos dribles do Aladim); o casal 20 do Fluminense (Washington e Assis), que eu tanto temia e, secretamente, admirava;  e, o mais importante, o poema mais bonito da língua portuguesa (Raul, Leandro, Marinho, Mozer; Adílio, Andrade, Tita, NOSSO SENHOR JESUS ZICO; Nunes e Lico). Por causa desse poeminha, escolhi meu time. E com ele, vivi alegrias e tristezas. Passei raiva em cada derrota do Flamengo e debochei dos outros a cada vitória. Mas, sobretudo, aprendi a gostar desse esporte que rouba as minhas tardes de domingo, as noites de quarta, algumas terças e sábados.

E daí esse blog, onde tento juntar, com alguns amigos tão viciados quanto eu, o esporte bretão e as palavras. Já que não posso vencer o vício, rendo-me a ele: futebol para ver, ouvir, e porque não?, ler e escrever.  Não é de hoje que fiz das palavras e seu uso meu trabalho e ganha-pão. Então porque não juntar? Talvez as palavras me ajudem a compreender esse negócio que me fascina tanto. Se o que escreverei será bom ou ruim, não dá para saber (embora, por este texto, dê para presumir…). Vamos ver o que acontece. Uma coisa eu garanto: vou me divertir. Como diria o Chulapa antes de entrar em campo: “gol eu não sei se vou fazer, mas uma briguinha eu arranjo“…

P.S: reparem nos três moleques da foto no cabeçalho do blog. Quem vai dizer que eles não estão felizes?