de três dedo


Manifesto em favor do juiz ladrão by Allan Oliveira
agosto 24, 2009, 5:19 am
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para Márcio Rezende de FreitasJavier Castrilli e José Roberto Wright

Hoje teve Corinthians e Botafogo. Parece que o árbitro fez bobagens. Amanhã o noticiário será a chatice de sempre sobre a “falta de preparo dos juízes” e a necessidade de sandices como “TV na beira do campo” e outras bobagens. Sobre isto, vale outro post num outro dia. Mas deixo apenas como registro o manifesto escrito por um moço chamado João Pedro de Andrade. Chama-se “Manifesto em favor do juiz ladrão”. Segue:

Este texto é um manifesto em favor do juiz ladrão, espécie em extinção desde que a modernidade resolveu pôr suas garras neste esporte que nos fascina, domina e nos leva a insanidades terríveis, como deixar de lado esposa, filhos, a loira do 701, trabalhos e coisas afins, em prol de uma partida entre Democrata de Sete Lagoas e Ipatinga, pela quarta rodada do Campeonato Mineiro. Sim, resolveram modernizar o futebol e quem paga a conta? O juiz ladrão.

Um despaupério, um absurdo.

Justo o juiz ladrão? Aquele capaz de salvar a mais modorrenta das partidas, marcando um pênalti inexistente aos 47 do segundo tempo?

Capaz de, no cara ou coroa que decide quem começa a partida, dizer “deu coroa, ganhamos!”.

Capaz de provocar aquela briguinha clássica entre os dois times, com direito à invasão de campo, correrias e safanões?

Capaz, por “cenzão”, de expulsar um atacante só porque ele está bem na partida e vai fazer um gol no time que pagou a grana.

Capaz de esticar o jogo até cincoenta e nove minutos do segundo tempo só para que o time que bancou a festinha da noite anterior empate o jogo.

Capaz de não marcar um impedimento claríssimo e, diante da reclamação do time prejudicado, dizer que “o gandula dava condição”.

Enfim, querem acabar com esta figura humana que engrandece o futebol e enriquece o esporte.  

 Não, precisamos nos unir contra essa barbárie, esse despropósito da modernidade. Não bastou terem exterminado o nosso direito ao meretrício, o direito das moças de cultivar aquela barriguinha com catupiry, o direito masculino à boa broxada ou o prazer de andar de Brasília? Agora querem acabar com o juiz ladrão!?

O que será dos nossos domingos sem essa figura ímpar?

A quem chamaremos de lazarento, de vascaíno, de fiodaputa, de corno?

A quem dirigiremos nossos ódios e opróbrios de segunda-feira?

Não, não podemos deixar isto acontecer. Onde vamos parar desse jeito?

Daqui a pouco acabarão com o pastel engordurado, com o conhaque São João da Barra, com o direito de chamar o namorado de “xãoê” (ao invés de paixão…), com o romops! Não, com o romops só se for por cima do meu cadáver!!!

Enfim, precisamos nos unir em prol do velho e bom juiz ladrão. Conto com todos.

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